Baixar em PDF

Mostrando postagens com marcador outubro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador outubro. Mostrar todas as postagens

Roteiro para Reunião Mensal Outubro

Roteiro para Reunião Mensal Outubro – Pastoral Litúrgica


Acolhida:
Entregar a cada pessoa que chega uma pegada recortada de papel. Pedir que escreva o próprio nome na mesma.

Ambiente:
Preparar um local com panos das cores dos continentes. Colocar um globo, a bíblia velas e um pouco de sal.



1. Oração Inicial
Canto:
1- Um dia escutei teu chamado,
divino recado batendo no coração.
Deixei deste mundo as promessas
e fui bem depressa no rumo da Tua mão.

Tu és a razão da jornada,
Tu és minha estrada, meu guia e meu  fim.
No grito que vem do Teu povo
Te escuto de novo chamando por mim.

2- Os anos passaram ligeiro,
me fiz um obreiro do Reino de  Paz  e  amor.
Nos mares do mundo navego e às redes me entrego,
tornei-me Teu pescador.

3-  Embora tão fraco e pequeno
caminho sereno com a força que vem   de    Ti.
A cada momento que passa,
revivo esta graça de ser Teu sinal aqui.



Invocação ao Espírito Santo

Oh vinde, Espírito Criador,
as nossas almas visitai
e enchei os nossos corações
com vossos dons celestiais.

Vós sois chamado o Intercessor,
do Deus excelso o dom sem par,
a fonte viva, o fogo, o amor,
a unção divina e salutar.

Sois doador dos sete dons,
e sois poder na mão do Pai,
por ele prometido a nós,
por nós seus feitos proclamais.

A nossa mente iluminai,
os corações enchei de amor,
nossa fraqueza encorajai,
qual força eterna e protetor.

Nosso inimigo repeli,
e concedei-nos vossa paz;
se pela graça nos guiais,
o mal deixamos para trás.

Ao Pai e ao Filho Salvador
por vós possamos conhecer.
Que procedeis do seu amor
fazei-nos sempre firmes crer.

Recordação da vida
(Recordar em especial os acontecimentos da vida litúrgica da Igreja em geral e da comunidade local. Recordar as motivações que teremos para celebrar no mês de agosto)

Cantar: recordações, lembranças da vida, sofrida e querida na festa e na dor, recebe nas mãos a recordação dos filhos e filhas amados, Senhor.

Mantra/Aclamação

“Que arda como brasa, Tua Palavra no renove. Esta chama que a boca proclama! (bis).”

Leitura do Texto bíblico:  Atos 8, 26-39
26 Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: «Prepare-se e vá para o sul, pelo caminho que desce de Jerusalém para Gaza; é o caminho que se acha no deserto.» Filipe levantou-se e foi. 27 Nisso apareceu um eunuco etíope, ministro de Candace, rainha da Etiópia. Ele era administrador geral do tesouro dela. Tinha ido a Jerusalém em peregrinação, 28 e estava voltando para casa. Ia sentado em seu carro, lendo o profeta Isaías. 29 Então o Espírito disse a Filipe: «Aproxime-se desse carro e o acompanhe.» 30 Filipe correu, ouviu o eunuco ler o profeta Isaías, e perguntou: «Você entende o que está lendo?» 31 O eunuco respondeu: «Como posso entender, se ninguém me explica?» Então convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele.

32 A passagem da Escritura que o eunuco estava lendo era esta: «Ele foi levado como ovelha ao matadouro. E como um cordeiro perante o seu tosquiador, ele ficava mudo e não abria a boca. 33 Eles o humilharam e lhe negaram a justiça. Quem poderá contar seus seguidores? Porque eles o arrancaram da terra dos vivos.» 34 Então o eunuco disse a Filipe: «Por favor me explique: de quem o profeta está dizendo isso? Ele fala de si mesmo, ou se refere a outra pessoa?» 35 Então Filipe foi explicando. E, tomando essa passagem da Escritura como ponto de partida, anunciou Jesus ao eunuco. 36 Continuando o caminho, chegaram a um lugar onde havia água. Então o eunuco disse a Filipe: «Aqui existe água. O que impede que eu seja batizado?» 37 Filipe lhe disse: «É possível, se você acredita de todo o coração.» O eunuco respondeu: «Eu acredito que Jesus Cristo é o Filho de Deus!» 38 Então o eunuco mandou parar o carro. Os dois desceram junto às águas, e Filipe batizou o eunuco. 39 Quando saíram da água, o Espírito arrebatou Filipe, e o eunuco não o viu mais. Então prosseguiu sua viagem, cheio de alegria.

Preces:
Fazer um momento de preces espontâneas, depois de cada um pode-se cantar:
“A igreja vos pede oh Pai, Senhor nossa prece escutai.”

Encerra-se o momento das preces rezando o Pai Nosso


Vivência:

A) Convidar cada um a relembrar como foi o chamado e quais as primeiras missões que assumiu na Igreja.

B) Cada um é convidado a colocar sua pegada no ambiente fazendo um propósito em relação à missão.

C) Quem preside diz a oração: Ó Deus, para salvar todas as pessoas enviastes ao mundo o Vosso Filho querido para anunciar a Boa-Nova aos pobres. Constituístes a Vossa Igreja como sacramento universal de Salvação, para que a Redenção realizada na cruz permanecesse atuante até o fim dos tempos. Olhai com bondade para estes Vossos Filhos e Filhas que, respondendo ao Vosso chamado, colocam suas vidas a serviço da evangelização e da promoção das crianças do mundo todo. Fazei que anunciem com firmeza a Vossa Palavra e que perseverem no Vosso amor.

D) Cada pessoa pega uma pegada com o nome de outra pessoa e entregando a pegada diz: Anuncia com a tua vida a Boa Nova do Reino de Deus.



D) Partilha sobre a Vivência

Dar um tempo para que cada um se manifeste sobre a experiência do recorte do rito de benção e consagração do óleo do crisma.



2. Estudo de temas
Se o grupo for grande pode-se dividir em quatro grupos, se for menor escolham, pelo menos, dois temas de estudo. (veja os temas em anexo abaixo)
Cada grupo vai ler o texto e responder às perguntas:
1. Quais as idéias mais importantes do texto?
2. O que o texto tem há ver com nossa realidade concreta?
3. O que podemos fazer para relacionar as idéias dos textos com vivência da liturgia nas celebrações deste mês?

Faz-se uma apresentação de cada grupo para os outros grupos. Escolhem-se as sugestões que possam ser assumidas pela Pastoral Litúrgica como um todo.

3. Encaminhamentos práticos da Pastoral Litúrgica
Ver as questões a serem encaminhadas sobre formação, reuniões e organização das equipes de celebração, etc...



4. Oração Final

Quem preside diz: Pai de misericórdia, que criaste o mundo e o confiaste aos seres humanos. Guie-nos com teu Espírito para que, como Igreja missionária de Jesus, cuidemos da Casa Comum com responsabilidade. Maria, Mãe Protetora, inspira-nos nessa missão. Amém.


Oração de benção
Terminado o a unção e o canto, quem preside reza a oração de benção:
O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça brilhar sobre ti sua face, e se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!

Despedida e abraço da Paz

Motivar todos a saudarem-se com abraço da paz.

Canto Final
Senhor, se tu me chamas eu quero te ouvir, se queres que eu te siga respondo: eis-me aqui!
1. Profetas te ouviram e seguiram tua voz. Andaram mundo afora e pregaram sem temor. Seus passos tu firmaste sustentando seu vigor. Profeta tu me chamas: vê, Senhor, aqui estou!
2. Nos passos de teu Filho toda a Igreja também vai, seguindo teu chamado de ser santa qual Jesus. Apóstolos e mártires se deram sem medir. Apóstolo me chamas: vê, Senhor, estou aqui!


Textos para o Estudo

Texto 1
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO
PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2016



Tema: Igreja missionária, testemunha de misericórdia



Queridos irmãos e irmãs!

O Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que a Igreja está a viver, proporciona uma luz particular também ao Dia Mundial das Missões de 2016: convida-nos a olhar a missão ad gentes como uma grande, imensa obra de misericórdia quer espiritual quer material. Com efeito, neste Dia Mundial das Missões, todos somos convidados a «sair», como discípulos missionários, pondo cada um a render os seus talentos, a sua criatividade, a sua sabedoria e experiência para levar a mensagem da ternura e compaixão de Deus à família humana inteira. Em virtude do mandato missionário, a Igreja tem a peito quantos não conhecem o Evangelho, pois deseja que todos sejam salvos e cheguem a experimentar o amor do Senhor. Ela «tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho» (Bula Misericordiae Vultus, 12), e anunciá-la em todos os cantos da terra, até alcançar toda a mulher, homem, idoso, jovem e criança.

A misericórdia gera íntima alegria no coração do Pai, sempre que encontra cada criatura humana; desde o princípio, Ele dirige-Se amorosamente mesmo às mais vulneráveis, porque a sua grandeza e poder manifestam-se precisamente na capacidade de empatia com os mais pequenos, os descartados, os oprimidos (cf. Dt 4, 31; Sal 86, 15; 103, 8; 111, 4). É o Deus benigno, solícito, fiel; aproxima-Se de quem passa necessidade para estar perto de todos, sobretudo dos pobres; envolve-Se com ternura na realidade humana, tal como fariam um pai e uma mãe na vida dos seus filhos (cf. Jr 31, 20). É ao ventre materno que alude o termo utilizado na Bíblia hebraica para dizer misericórdia: trata-se, pois, do amor duma mãe pelos filhos; filhos que ela amará sempre, em todas as circunstâncias suceda o que suceder, porque são fruto do seu ventre. Este é um aspeto essencial também do amor que Deus nutre por todos os seus filhos, especialmente pelos membros do povo que gerou e deseja criar e educar: perante as suas fragilidades e infidelidades, o seu íntimo comove-se e estremece de compaixão (cf. Os 11, 8). Mas Ele é misericordioso para com todos, o seu amor é para todos os povos e a sua ternura estende-se sobre todas as criaturas (cf. Sal 144, 8-9).

A misericórdia encontra a sua manifestação mais alta e perfeita no Verbo encarnado. Ele revela o rosto do Pai, rico em misericórdia: «não somente fala dela e a explica com o uso de comparações e parábolas, mas sobretudo Ele próprio a encarna e a personifica» (João Paulo II, Enc. Dives in misericordia, 2). Aceitando e seguindo Jesus por meio do Evangelho e dos Sacramentos, com a ação do Espírito Santo, podemos tornar-nos misericordiosos como o nosso Pai celestial, aprendendo a amar como Ele nos ama e fazendo da nossa vida um dom gratuito, um sinal da sua bondade (cf. Bula Misericordiae Vultus, 3). A primeira comunidade que, no meio da humanidade, vive a misericórdia de Cristo é a Igreja: sempre sente sobre si o olhar d’Ele que a escolhe com amor misericordioso e, deste amor, ela deduz o estilo do seu mandato, vive dele e dá-o a conhecer aos povos num diálogo respeitoso por cada cultura e convicção religiosa.

Como nos primeiros tempos da experiência eclesial, há tantos homens e mulheres de todas as idades e condições que dão testemunho deste amor de misericórdia. Sinal eloquente do amor materno de Deus é uma considerável e crescente presença feminina no mundo missionário, ao lado da presença masculina. As mulheres, leigas ou consagradas – e hoje também numerosas famílias –, realizam a sua vocação missionária nas mais variadas formas: desde o anúncio direto do Evangelho ao serviço sociocaritativo. Ao lado da obra evangelizadora e sacramental dos missionários, aparecem as mulheres e as famílias que entendem, de forma muitas vezes mais adequada, os problemas das pessoas e sabem enfrentá-los de modo oportuno e por vezes inédito: cuidando da vida, com uma acrescida atenção centrada mais nas pessoas do que nas estruturas e fazendo valer todos os recursos humanos e espirituais para construir harmonia, relacionamento, paz, solidariedade, diálogo, cooperação e fraternidade, tanto no setor das relações interpessoais como na área mais ampla da vida social e cultural e, de modo particular, no cuidado dos pobres.

Em muitos lugares, a evangelização parte da atividade educativa, à qual o trabalho missionário dedica esforço e tempo, como o vinhateiro misericordioso do Evangelho (cf. Lc 13, 7-9; Jo 15, 1), com paciência para esperar os frutos depois de anos de lenta formação; geram-se assim pessoas capazes de evangelizar e fazer chegar o Evangelho onde ninguém esperaria vê-lo realizado. A Igreja pode ser definida «mãe», mesmo para aqueles que poderão um dia chegar à fé em Cristo. Espero, pois, que o povo santo de Deus exerça o serviço materno da misericórdia, que tanto ajuda os povos que ainda não conhecem o Senhor a encontrá-Lo e a amá-Lo. Com efeito a fé é dom de Deus, e não fruto de proselitismo; mas cresce graças à fé e à caridade dos evangelizadores, que são testemunhas de Cristo. Quando os discípulos de Jesus percorrem as estradas do mundo, é-lhes pedido aquele amor sem medida que tende a aplicar a todos a mesma medida do Senhor; anunciamos o dom mais belo e maior que Ele nos ofereceu: a sua vida e o seu amor.

Cada povo e cultura tem direito de receber a mensagem de salvação, que é dom de Deus para todos. E a necessidade dela redobra ao considerarmos quantas injustiças, guerras, crises humanitárias aguardam, hoje, por uma solução. Os missionários sabem, por experiência, que o Evangelho do perdão e da misericórdia pode levar alegria e reconciliação, justiça e paz. O mandato do Evangelho – «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt 28, 19-20) – não terminou, antes pelo contrário impele-nos a todos, nos cenários presentes e desafios atuais, a sentir-nos chamados para uma renovada «saída» missionária, como indiquei na Exortação Apostólica Evangelii gaudium: «cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (n. 20).

Precisamente neste Ano Jubilar, celebra o seu nonagésimo aniversário o Dia Mundial das Missões, promovido pela Pontifícia Obra da Propagação da Fé e aprovado pelo Papa Pio XI em 1926. Por isso, considero oportuno recordar as sábias indicações dos meus Predecessores, estabelecendo que fossem destinadas a esta Opera todas as ofertas que cada diocese, paróquia, comunidade religiosa, associação e movimento, de todo o mundo, pudessem recolher para socorrer as comunidades cristãs necessitadas de ajuda e revigorar o anúncio do Evangelho até aos últimos confins da terra. Também nos nossos dias, não nos subtraiamos a este gesto de comunhão eclesial missionário; não restrinjamos o coração às nossas preocupações particulares, mas alarguemo-lo aos horizontes da humanidade inteira.

Santa Maria, ícone sublime da humanidade redimida, modelo missionário para a Igreja, ensine a todos, homens, mulheres e famílias, a gerar e guardar por todo o lado a presença viva e misteriosa do Senhor Ressuscitado, que renova e enche de jubilosa misericórdia as relações entre as pessoas, as culturas e os povos.

Vaticano, 15 de maio – Solenidade de Pentecostes – de 2016.


Texto 2

Eucaristia: fonte da missão e vida solidária

Por Pe. Benedito Ferraro
 
“Bendito sejais, Senhor Deus do Universo, pelo pão e pelo vinho que recebemos da vossa bondade, fruto da terra e da videira e do trabalho do homem e da mulher, da cidade e do campo, que agora vos apresentamos, e que para nós vão se tornar pão da vida e cálice da salvação.”



O 14º Congresso Eucarístico Nacional foi realizado em Campinas nos dias 19 a 22 de julho de 2001. Certamente não podemos aquilatar todos os resultados desse acontecimento que reuniu pessoas vindas de quase todos os Estados do Brasil, colocando na mesa comum suas experiências, colaborando com o enriquecimento mútuo.

Retomando parte dessa memória, queremos refletir sobre o pão e o vinho, que apresentamos ao Senhor e que se tornam para nós Pão da Vida e Vinho da Salvação. Queremos, nessa perspectiva, ligar a Eucaristia com a vida do dia a dia. Ligar a Eucaristia com a vida dos trabalhadores e trabalhadoras, que produzem o pão e o vinho e que, por causa de um sistema injusto, acabam, muitas vezes, ficando sem o alimento necessário para manter a vida.



1. Pão real: sustento da vida

Como diz a oração das oferendas, o pão e o vinho são frutos da terra e do trabalho do homem e da mulher. Isso significa que neles há muito trabalho incorporado. Há muita vida e muito suor: “A ideia de Jesus é genial: reunir os homens e mulheres na unidade, partindo não das ideias, mas da matéria. A força da unificação e conciliação dos homens e mulheres, a energia oculta que nos une é Cristo, mas Cristo quer que esta energia seja colhida e simbolizada no pão e no vinho. Porque o pão e o vinho nos unem na mesa e são o símbolo desta união… E o pão e o vinho significam que só podemos realizar a união através da produção. O Pão nasce da terra, mas para ser pão deve passar pela mediação do homem e da mulher. O pão simboliza o produto indispensável à vida do homem e da mulher e é aquele produto que mais precisa de mediação: do campo à ceifa, à debulha, ao moinho, à panificação. São pelo menos quatro mediações, sem levar em conta a distribuição. A Eucaristia nos lembra o empenho de fazer comunhão entre nós passando pela produção”[1].

Seria longo sinalizar todas as mediações necessárias para a produção do pão e do vinho. Mas é importante para compreendermos que o pão não é apenas pão e o vinho não é vinho tão somente, mas sim frutos de relações sociais. São, na verdade, a vida de nossos irmãos e irmãs incorporada neles. Quantas pessoas estão engajadas em sua produção! Para pensarmos o plantio, é necessário pensarmos a preparação da terra feita pelo camponês(a), os instrumentos necessários para essa tarefa: a enxada, o arado ou o trator. Esses, por sua vez, dependem dos que trabalharam nas minas, colhendo o minério de ferro, em circunstâncias extremamente perigosas, como também dos operários(as) que os produzem nas fábricas. Normalmente, a colheita é feita pelos boias-frias, cuja vida de sacrifícios conhecemos. Para chegar à cidade, o pão e o vinho necessitam do transporte. Caminhoneiros que percorrem grandes distâncias, enfrentando, a cada dia, os perigos de nossas estradas. Há ainda os que trabalham na produção da farinha nas indústrias, os que trabalham nas padarias e no comércio. Todo esse trabalho é realizado para que o pão e o vinho possam estar em nossas mesas e também na mesa do altar. Para ilustrarmos todo esse processo, recorremos ao esquema utilizado por E. Dussel[2], que nos ajuda na compreensão de todo o trabalho incorporado na produção do pão e do vinho:



PÃO É VIDA



    1. Ser humano:                                 2. Trabalho (ação)                                                                      3. Terra
Sujeito de necessidades Matéria

  5. Vida                                                                                                                                       4. Pão
Consumo Produto



O ser humano — homem e mulher —, no trabalho cotidiano, busca o sustento da vida diária, pois é um ser de necessidades. Seu trabalho visa produzir o necessário para que a vida possa ser produzida e reproduzida, através do consumo do fruto de seu trabalho. E como diz o Eclesiastes: “Vejam: a felicidade do homem e da mulher está em comer e beber, desfrutando o produto do seu trabalho… E compreendi também que é dom de Deus que o homem e a mulher possam comer e beber, desfrutando do produto de todo seu trabalho” (Ecl 2,24; 3,13). No entanto, quando o homem e a mulher não podem usufruir o produto de seu trabalho, surge a injustiça, que manifesta a quebra das relações de igualdade e impede que a vida seja vivida na fraternidade de irmãos e irmãs, numa mesma casa, cidade ou país.



2. O pão econômico e as relações sociais de trabalho

Quando, numa sociedade, há pessoas que não têm acesso ao produto de seu trabalho, podemos questionar sua organização, pois essa desigualdade revela a injustiça presente nas relações sociais. Ao negar o trabalho aos trabalhadores(as), o pão não pode ser partilhado de modo fraterno, pois o desemprego[3], se não mata, machuca demais. Quando a concentração da terra chega a níveis insuportáveis, como no Brasil[4], o pão não pode chegar à mesa de todos. Quando a indigência atinge 50 milhões de brasileiros[5], o pão não pode estar presente na mesa de todos, como ali­mento que dá sustento e alegria de viver. Essa realidade está em contradição flagrante com a proposta de At 4,34: “Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro e o colocavam aos pés dos apóstolos; depois, era distribuído a cada um conforme a sua necessidade”.

O pão econômico explicita as relações de trabalho de uma sociedade. No nosso caso, o pão econômico, mal partilhado, conforme as estatísticas, revela que nossa sociedade, marcada pela desigualdade, priva muitos do exercício da cidadania plena. Mostra que a exploração continua imperando nas relações de trabalho, pois os que detêm o capital acabam mantendo os que trabalham numa situação de dependência.



3. O pão econômico é o pão da Eucaristia

O mesmo pão que comemos na nossa casa está presente na mesa do altar. Ele é fruto do trabalho do homem e da mulher, do campo e da cidade. O pão e o vinho revelam que a economia é a base da liturgia: “Trata-se de compreender a articulação entre o pão, fruto do trabalho comunitário dos homens (e mulheres) e que se troca entre os produtores, e o pão, matéria da oferta eucarística. Em um segundo nível de profundidade, é preciso articular o pão do sacrifício com o próprio corpo do profeta que se oferece na história nas lutas pela justiça, pela construção do Reino. Pão do trabalho, pão da oferta, o corpo do mártir como pão eucarístico. Isto é saber articular economia e eucaristia, a essência do cristianismo”[6].

Numa sociedade em que a economia já não mais se preocupa com o bem comum das pessoas, mas única e exclusivamente com o lucro, colocando a produtividade e as leis de mercado como parâmetros absolutos[7], a Eucaristia deve se tornar um gesto profético em favor da justiça e da partilha. A Gaudium et Spes, texto do Vaticano II, mostra que a economia deve estar a serviço das pessoas e de toda a comunidade humana: “A finalidade fundamental da produção não é o mero aumento de produtos, nem o lucro ou a dominação, mas o serviço do homem e do homem completo, atendida a hierarquia das exigências de sua vida intelectual, moral, espiritual e religiosa; de todo homem, dizemos, de qualquer comunidade humana, sem distinção de raça ou de região do mundo”[8].

Existe uma contradição entre o anúncio e a realidade. Muitas vezes, proclamamos uma verdade, mas a prática cotidiana está longe de se tornar verdadeira. Os bispos latino-americanos detectaram essa realidade, ao afirmar: “Vemos, à luz da fé, como um escândalo e uma contradição com o ser cristão, o abismo crescente entre ricos e pobres. O luxo de alguns poucos converte-se em insulto contra a miséria das grandes massas. Isto é contrário ao plano do Criador e à honra que lhe é devida”[9]. Essa mesma constatação é feita na Declaração Final do 14º Congresso Eucarístico Nacional: “Estivemos reunidos em Campinas, irmãos e irmãs, vindos das diferentes regiões do Brasil. Esta grande cidade do Sudeste acolheu-nos cordialmente. Mostrou-nos seu grande potencial humano, financeiro e tecnológico, ao mesmo tempo em que percebemos o clamor de cidadãos que sofrem, como, aliás, em todo o país, brutais contrastes entre riqueza e miséria no mesmo solo, na mesma família humana, na mesma mesa cristão[10].



3.1. A dimensão profética da Eucaristia na tradição bíblica

A tradição bíblica nos alerta para essa contradição e nos ajuda a compreender que a Eucaristia assumida tem sempre uma dimensão profética, que, muitas vezes, desemboca no martírio — como aconteceu com D. Oscar Romero, ao buscar ser coerente com a vida dos pobres, em El Salvador. O texto de Eclo 34,18-24, que serviu para a conversão de Bartolomeu de las Casas, e o texto de 1Cor 11,17-32 servem como alerta, ainda hoje, para todos os que se dizem cristãos. A Eucaristia é um sacramento, um símbolo, mas deve se concretizar na vida concreta do dia a dia, para não ter seu significado esvaziado: “O partilhar alimento e bebida uns com os outros, a celebração duma refeição especialmente entre os que são abastados e os que nada possuem, é essencial à celebração da refeição eucarística cristã. A simbolização ritual do grupo cristão, do corpo de Cristo, está ligada integralmente com a celebração duma refeição e com a bem concreta participação de todos os cristãos à mesma mesa. O símbolo central da associação cristã não é um código ou um lugar sagrado, não é uma fórmula ou ação ritual, mas a bem concreta participação numa mesma refeição em justiça e amor. A comunidade reunida ao redor da mesa do Senhor deve superar suas estratificações e discriminações sociais. Senão, torna-se culpada e responsável por ‘profanar’ a vida e morte do seu Senhor… A condição essencial para celebrar a ‘ceia do Senhor’ não é o rito cúltico, mas a partilha socioeclesial do alimento e da bebida. Todos os cristãos devem ser capazes de participar em pé de igualdade da mesa do único Corpo. Discriminações sociais destroem a comensalidade da ceia do Senhor. A participação de todos os membros da associação cristã — ricos e pobres, livres e escravos, homens e mulheres, judeus e gregos — no único pão partido constitui o único corpo, a ecclesia. O tornar-se Igreja, como também a ritualização simbólica da Igreja, não é possível sem a igualdade na concreta participação à mesma mesa. Ora, uma participação à mesma mesa em pé de igualdade requer que se abandonem as discriminações sociais entre os que participam do corpo e do sangue de Cristo. Não apenas as discussões e questões ‘eucarísticas’ dos coríntios, mas também as nossas de hoje poderão adquirir novas dimensões e impulsos teológicos, se novamente focalizarmos o caráter de refeição que tem a eucaristia como elemento constitutivo da ritualização simbólica da comunidade cristã, como também se trabalharmos por superar a discriminação social e o preconceito social como precondição essencial”[11].

Essa é a grande contradição que continua presente em nosso meio e que o 14º Congresso Eucarístico Nacional buscou denunciar em seu texto-base[12]. A Eucaristia supõe a convivência de irmãos e irmãs na mesma mesa. E quando essa realidade não existe, a Eucaristia se torna, em cada celebração, uma denúncia da realidade que impede que o pão seja partilhado entre todos: “O pão nosso de cada dia nos dá hoje” (cf. Mt 9,11). A vontade de Deus, Pai-Mãe, expressa na prática de Jesus de Nazaré, é a de que todos os seus filhos e filhas tenham vida plena (cf. Jo 10,10).



3.2. Eucaristia e divisões na comunidade

No texto de 1Cor 11,17-32, encontramos o pensamento de Paulo que critica a comunidade que não age de acordo com os preceitos do amor. Ela acaba repetindo os erros presentes na sociedade: “O ato que devia ser um sinal do festim do Reino perdia então todo o seu conteúdo. Tratava-se de uma profanização da celebração da Eucaristia”[13]. Esse é um perigo constante que ronda nossas celebrações eucarísticas, quando não há compromisso efetivo para transformar a realidade injusta que impede a presença de todos como irmãos e irmãs na mesa comum. A crítica aqui não é para os “de fora”, mas sim para os “de dentro”, para aqueles que professam a mesma fé e acreditam na presença misteriosa de Jesus no pão e no vinho, sinais visíveis da graça de Deus oferecida a todos. O esquema utilizado por E. Dussel, refletindo o texto de Eclo 34,18-24, base da conversão de Bartolomeu de las Casas, pode nos ajudar na compreensão desse desafio:





O PÃO DA ECONOMIA É O PÃO DA EUCARISTIA[14]







O pão é fruto do trabalho do pobre. Tirar o pão do pobre e oferecê-lo a Deus é, na verdade, como diz o texto bíblico, matar o filho na presença do pai. Nesse sentido, a base da Eucaristia é a economia. Por isso, toda Eucaristia celebrada deve apontar para a partilha real dos bens, retomando hoje e sempre a experiência utópica das primeiras comunidades cristãs (At 2,42-47; 4,32-35).



4. A modo de conclusão

A Eucaristia nos relembra o grande dom de amor que Jesus nos deixou como sinal de sua presença no meio de nós. Sua vida foi toda perpassada pela vivência eucarística: partilha do pão, compaixão pelos pobres, acolhimento dos pecadores e doentes. Em seu testamento, ele disse: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19). O “isto” que Jesus pede que façamos “abre-se para uma perspectiva exigente, oblativa, de doação completa da vida. ‘Fazei isto’ significa celebrar o mistério eucarístico, atualizar a memória de Jesus. ‘Fazei isto’ implica doar a vida cotidianamente. ‘Fazei isto’ significa repartir o pão em todas as suas dimensões e sentidos”[15].

A Eucaristia como fonte da missão e vida solidária indica o caminho do compromisso para todos os cristãos e cristãs: transformar a sociedade para que ela se torne casa comum de todos, onde todos e todas possam ser acolhidos e incluídos como irmãos e irmãs ao redor da mesma mesa. Essa utopia deve orientar a nossa caminhada, como orientou a vida de Antônio Costa Santos, o Toninho[16], que muito colaborou coma realização do 14º Congresso Eucarístico Nacional e foi ceifado por uma bala assassina e cruel. Que seu sangue derramado, misturado ao sangue libertador e salvador de Jesus Cristo, não tenha sido derramado em vão e possa germinar em frutos de justiça e paz, concretizando o sonho de Jesus de Nazaré: vida plena para todos e todas.


Reunião mensal da pastoral litúrgica outubro/novembro

Roteiro para Reunião Mensal – Pastoral Litúrgica – Outubro/Novembro
Cristo Rei – Dia do Cristão Leigo



Ambiente:
Preparar um local para colocar a Palavra de Deus com velas, uma cruz, camisas ou imagens de forças vivas existentes nas comunidades.

1. Oração Inicial
Mantra:
Cristo vive, Cristo reina, Cristo, Cristo impera!

Hino da Festa de Cristo Rei
Jesus, Rei tão admirável,
nobre Rei triunfador,
sois doçura inefável,
desejável ao amor.

Rei dos anjos, Rei do mundo,
Rei da máxima vitória,
doador de toda graça,
dos eleitos honra e glória.

Celebrando o vosso nome,
canta em coro todo o céu.
Jesus, gozo do universo,
que nos dais a paz de Deus.

Jesus reina pela paz
que supera o intelecto.
Nossas mentes a desejam
e a procura o nosso afeto.

A Jesus sigamos hoje
com louvor, canções e prece.
Dê-nos ele em sua casa
o amor que não perece

Ó Jesus, total doçura,
da Mãe Virgem sois a flor.
Para nós, no Reino eterno,
honra, graças e louvor.

Recordação da vida
Partilhar os fatos marcantes para a comunidade, a igreja, etc...

Mantra/Aclamação
Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei. Disse o Senhor.

Leitura do Texto bíblico
João 13, 1-17
Antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que tinha chegado a sua hora. A hora de passar deste mundo para o Pai. Ele, que tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Durante a ceia, o diabo já tinha posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, o projeto de trair Jesus. Jesus sabia que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos. Sabia também que tinha saído de junto de Deus e que estava voltando para Deus.
Então Jesus se levantou da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Colocou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando com a toalha que tinha na cintura. Chegou a vez de Simão Pedro. Este disse: «Senhor, tu vais lavar os meus pés?» Jesus respondeu: «Você agora não sabe o que estou fazendo. Ficará sabendo mais tarde.» Pedro disse: «Tu não vais lavar os meus pés nunca!» Jesus respondeu: «Se eu não o lavar, você não terá parte comigo.» Simão Pedro disse: «Senhor, então podes lavar não só os meus pés, mas até as mãos e a cabeça.» Jesus falou: «Quem já tomou banho, só precisa lavar os pés, porque está todo limpo. Vocês também estão limpos, mas nem todos.» Jesus sabia quem o iria trair; por isso é que ele falou: «Nem todos vocês estão limpos.»
Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto, sentou-se de novo e perguntou: «Vocês compreenderam o que acabei de fazer? Vocês dizem que eu sou o Mestre e o Senhor. E vocês têm razão; eu sou mesmo. Pois bem: eu, que sou o Mestre e o Senhor, lavei os seus pés; por isso vocês devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei um exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz. Eu garanto a vocês: o servo não é maior do que o seu senhor, nem o mensageiro é maior do que aquele que o enviou. Se vocês compreenderam isso, serão felizes se o puserem em prática.»


O que o texto me diz?

Partilhar as impressões do que Deus diz a cada um e à comunidade e a pastoral litúrgica pelo texto.

Preces – o que digo a Deus?

R. Senhor, venha a nós o vosso Reino!
1 Cristo, nosso Rei e nosso Pastor, reuni de todos os pontos da terra as ovelhas do vosso rebanho, e apascentai-as nos prados da vida eterna. R.
2 Salvador e Guia da humanidade, fazei de todos nós um só povo: curai os enfermos, procurai os que estão perdidos, conservai os fortes,  chamai os que estão longe, congregai os dispersos, fortalecei os que vacilam. R.
3 Juiz eterno, colocai-nos à vossa direita no último dia, quando entregardes o Reino a Deus Pai,  e dai-nos a posse do Reino preparado para nós desde a criação do mundo.R.
4 Príncipe da paz, fazei desaparecer do mundo a guerra e a violência, - e concedei às nações a vossa paz. R.
(intenções livres)

5 Cristo, Primogênito dentre os mortos e Príncipe dos que adormeceram, - acolhei na glória da ressurreição os nossos irmãos e irmãs que partiram desta vida. R.

Pai nosso...


Vivência:
a) Amar e servir
Pedir que cada um observe as camisas ou imagens que representam as forças vivas da comunidade.
Cada um escolhe uma das camisas ou imagens que tem há ver com a própria experiência de servir, seguindo Cristo Rei.

b) O Lava pés
O lava-pés é um rito litúrgico, realizado na Quinta Feira Santa, na missa da Ceia do Senhor. Jesus ao lavar os pés dos discípulos quer demonstrar seu amor por cada um e mostrar a todos que a humildade e o serviço são o centro de sua mensagem. “Eu vim para servir”.
O lava-pés era muito usado no tempo de Jesus e até mesmo antes do seu nascimento. Era um trabalho feito por escravos, que consistia em lavar os pés dos patrões da casa e de daqueles que chegavam de viagem.
O rito do lava-pés não é uma encenação dentro da missa, mas um gesto litúrgico que repete o mesmo gesto de Jesus. O bispo ou padre que lava os pés de algumas pessoas da comunidade está imitando Jesus no gesto, mas não como teatro; ao contrário, como compromisso de estar ao serviço da comunidade, para que todos tenham a salvação, como fez Jesus.
A celebração do Lava-Pés, é a maior explicação para o grande gesto de Jesus que é a Eucaristia. "Assim como Jesus se doa a nós, inteiramente, também somos chamados a nos doar para o irmão".
Quando celebramos a festa de Cristo Rei do universo, lembramos que Ele foi o primeiro a servir. Como Rei-Servidor Jesus nos ensina a servir.

c) Rito
* Quem preside faz a leitura dos versículos finais do texto bíblico:
“Naquele tempo, disse Jesus, Eu garanto a vocês: o servo não é maior do que o seu senhor, nem o mensageiro é maior do que aquele que o enviou. Se vocês compreenderam isso, serão felizes se o puserem em prática.” Palavra da Salvação.

* Quem preside amarra uma toalha ao redor da cintura com um cíngulo e lava os pés dos outros.

* Pode-se cantar a música que segue enquanto se faz o rito:
1. Jesus erguendo-se da ceia / Jarro e bacia tomou / Lavou os pés dos discípulos / Este exemplo nos deixou / Aos pés de Pedro inclinou-se / Ò Mestre, não por quem és? / /: Não terás parte comigo / Se não lavar os teus pés.:/
2. És o Senhor, tu és o Mestre / Os meus pés não lavarás / O que ora faço não sabes / Mas depois compreenderás / Se eu vosso Mestre e Senhor / Vossos pés hoje lavei / /: Lavai os pés uns dos outros / Eis a lição que vos dei.:/
3. Eis como irão reconhecer-vos / Como discípulos meus / Se vos ameis uns aos outros / Disse Jesus para os seus / Dou-vos novo mandamento / Deixo ao partir nova lei / /: Que vos ameis uns aos outros / Assim como eu vos amei.:/

Partilha sobre a Vivência
1. Falar sobre a experiência de quem presidiu e de quem participou.
2. Sugestões para aprofundar a vivência deste rito.



2. Estudo de temas

Se o grupo for grande pode-se dividir em quatro grupos, se for menor escolham, pelo menos, dois temas de estudo. (veja os temas em anexo abaixo)
Cada grupo vai ler o texto e responder às perguntas:
1. Quais as idéias mais importantes do texto?
2. O que o texto tem há ver com nossa realidade concreta?
3. O que podemos fazer para vivenciar na liturgia o que o texto nos apresenta?

Faz-se uma apresentação de cada grupo para os outros grupos. Escolhem-se as sugestões de vivencia litúrgica que possam ser assumidas pela Pastoral Litúrgica como um todo.


3. Encaminhamentos práticos da Pastoral Litúrgica

Ver as questões a serem encaminhadas sobre formação, reuniões e organização das equipes de celebração, etc...










4. Oração Final

Oração de benção
Deus eterno e todo-poderoso que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

O Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Amém.

Despedida e abraço da Paz




Textos para o Estudo

Texto 1: Cristo, um rei servidor

Raymond Gravel, padre da Diocese de Joliette, Canadá

Festejar Cristo, Rei do Universo, é uma outra maneira de celebrar a Páscoa. Essa festa termina bem o ano litúrgico. Sem morte-ressurreição, a festa de hoje não teria nenhum sentido. De que realeza estamos falando? Que tipo de rei reconhecemos? Como dizia o biblista Jean-Pierre Prévost: “Para ser honesto com vocês, devo dizer francamente que não tenho nenhuma prelileção particular pela realeza e que, em si, o título de rei aplicado a Jesus não é aquele que mais me inspira”. Por essa razão, devemos redefinir a realeza, caso quisermos aplicá-la ao Cristo ressuscitado na Igreja de hoje; caso contrário, corremos o risco de associar Cristo a um monarca igual a todos os outros e que nos faria perder de vista o que Cristo foi e ainda é na Igreja de hoje. Infelizmente, alguns dirigentes da Igreja com frequência confundiram a realeza de Cristo com aquela dos homens, a ponto de deformar o rosto de Jesus. Felizmente, em cada época, houve discípulos, homens e mulheres, que souberam devolver ao Cristo a sua verdadeira realeza, que consiste em servir e não em ser servido.

1. A problemática da realeza

Jean-Pierre Prévost escreve: “A história da realeza em Israel começou mal. Foi a contragosto que o profeta Samuel acabou por consagrar Saul primeiro rei de Israel, para responder à demanda do povo que queria ser como todas as outras nações” (1 Sm 8,5). Podemos acrescentar que esse não teve um sucesso real. E por quê? Simplesmente porque o poder corrompe e o prestígio sobe à cabeça daqueles que exercem o poder. É evidente que na história de Israel houve reis melhores que outros; pensemos em Davi ou em Salomão. Mas esses dois reis, que a tradição bíblica soube embelezar, tornando-os símbolos idílicos, a história mostra que também eram muito humanos, portanto, limitados e pecadores.

No fundo, a Bíblia nos ensina que Deus não queria reis, porque a experiência da realeza era bastante negativa e a história de Israel é a prova disso, uma vez que a realeza não durou mais do que 400 anos e terminou de maneira trágica com o exílio de Sedecias para a Babilônia. O que Deus queria era um rei servidor e não um príncipe que dirige e que explora o seu povo. Esta má experiência da realeza permitiu ao povo de Israel purificar sua fé e imaginar um rei ideal, que seria um verdadeiro pastor e que viria estabelecer um reino de justiça e de paz a serviço dos pobres e dos desafortunados. Esse rei nós o reconhecemos no Cristo Pascal.

2. Cristo, Rei do Universo

Foi somente em 1925 que nasceu esta festa e não é pelas mesmas razões que nós continuamos a celebrá-la hoje. Jesus nunca se declarou rei; pelo contrário, o evangelho nos ensina que esse título foi dado a ele de maneira irônica e sarcástica por um rei, Herodes, e por um representante de César, Pôncio Pilatos... Jesus se defendeu: “Pilatos disse a Jesus: ‘Então tu és rei?’ Jesus respondeu: ‘Você está dizendo que eu sou rei’” (Jo 18,37a). Por outro lado, se dizemos que Cristo é rei, é porque reconhecemos nele o servidor que quis estabelecer o reino de justiça e de paz, tão desejado pelos homens e pelas mulheres do seu tempo. Mas ele não tem nada de outro rei: seu trono é a cruz; sua coroa é de espinhos e seu cetro é seu bastão de pastor. O evangelho de Lucas o apresenta, ao mesmo tempo, como um rei sem poder – “Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo” (Lc 23,37) – e como um rei muito humano, de sorte que o ladrão crucificado com ele que o interpela, não lhe diz: Majestade ou Senhor, ou Mestre ou ainda Sua Santidade ou Monsenhor... Não! Ele o chama de Jesus: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres em teu Reino” (Lc 23,42). Esse bandido torna-se o primeiro sujeito do Reino: “Eu lhe garanto: hoje mesmo você estará comigo no Paraíso” (Lc 23,43). É o que fez São João Crisóstomo dizer: “Fiel à sua profissão de ladrão, ele rouba por sua confissão o reino dos céus”.

3. Atualização

Atualmente, temos necessidade de reler este evangelho para celebrar Cristo, Rei do Universo. É preciso nos perguntar: como sociedade e como Igreja, que tipo de rei apresentamos? Que rosto de Cristo mostramos às mulheres e aos homens do nosso tempo? Quantos políticos e lideranças da Igreja exercem o seu poder como monarcas déspotas e cruéis que têm coração muito mais para enriquecer do que servir a coletividade, a comunidade? Na Igreja, quantas dores foram infligidas aos cristãos(as) por lideranças principescas que acreditaram ser os únicos detentores da verdade?

Há alguns anos, o Papa João Paulo II pediu perdão pela Igreja do Renascimento; o cardeal Marc Ouellet fez o mesmo pela Igreja de Quebec antes de 1960, por todos os sofrimentos infligidos às mulheres, aos autóctones, aos judeus, às crianças, aos homossexuais... A reação das pessoas foi muito negativa. Homens, mulheres, membros do clero criticaram duramente tanto o Papa como o cardeal. Diziam que seu perdão era incompleto e condicional; não acreditavam em sua sinceridade. De sorte que o jornalista do jornal Presse, Alain Dubuc, resumiu bem o pensamento de muitos quebequenses sobre o cardeal Marc Ouellet, durante sua passagem pela Comissão Bouchard-Taylor, em 2007. Ele escreve: “Com seu ardor e sua carta de perdão, o cardeal Ouellet conseguiu nos lembrar porque os quebequenses rejeitaram em massa e tão brutalmente a sua Igreja durante os anos 1960. As reações foram muito vivas, porque Ouellet, com sua rigidez e sua arrogância, nos mergulha novamente neste período que os mais velhos dentre nós querem esquecer. Ouellet, eu o digo pesando minhas palavras, após uma leitura atenta das suas intervenções públicas, é um reacionário no sentido mais forte da palavra, alguém que se insurge contra a evolução da sociedade que o cerca, que quer resistir às mudanças e que defende as práticas e os valores que pertencem ao passado”.

Pessoalmente, acredito sinceramente que algumas lideranças eclesiais de hoje fazem muito mais mal à Igreja do que a ajudam; eles encarnam esta Igreja que os quebequenses não querem mais: uma Igreja dogmática e doutrinal que sempre exclui as mulheres, uma Igreja homofóbica que condena os homossexuais, uma Igreja obcecada pela sexualidade, uma Igreja que rejeita aquelas e aqueles que vivem um fracasso em seu casamento e que querem continuar a amar, uma Igreja que acredita ser a única detentora da verdade sobre Deus e sobre o mundo, uma Igreja que recusa qualquer evolução e qualquer mudança na sociedade, uma Igreja que não está a serviço do povo de Deus, mas que se serve dos cristãos para aumentar seu prestígio e seu poder. Com uma Igreja assim, estamos longe do Evangelho e, como durante muito tempo encontramos nela esses príncipes, não deveríamos nos surpreender ao ver mulheres e homens se afastarem desta instituição que lhes parece completamente ultrapassada. Felizmente, há o Papa Francisco que nos faz ter esperança e que se junta a todos os bispos, padres religiosos(as), cristãos que continuam a acreditar e que tanto gostariam de viver o evangelho hoje, apresentando um rosto de Cristo amável, misericordioso, tolerante, aberto, livre, justo, respeitoso do outro, dos outros, compassivo: um rosto de Cristo que faz o homem e a mulher na Quebec de hoje ter esperança.

Concluindo, eu gostaria de citar novamente o Alain Dubuc em sua reflexão sobre a Igreja e sua aproximação negativa ao cardeal Marc Ouellet: “De acordo com o cardeal Ouellet, um povo não pode se esvaziar tão rapidamente da sua essência sem consequências graves. De onde a confusão da juventude, a queda vertiginosa dos casamentos, a taxa ínfima de natalidade e o número espantoso de abortos e de suicídios para elencar apenas algumas das consequência que se somam às condições precárias dos idosos e da saúde pública. Esse retrato apocalíptico apaga convenientemente as misérias desta época passada, os efeitos da pobreza e da ignorância. Ele atribui à revolução silenciosa um fenômeno que encontramos em todas as partes do Ocidente. E o mais importante, ele se esquece de perguntar se este abandono brutal da religião não se deve às falhas da Igreja mais do que aos complôs dos artistas da revolução silenciosa.

A Igreja, em vez de acompanhar seus fiéis em um período de mudanças difíceis, os abandona, orgulhosa de sua rigidez, e dessa maneira falha em sua missão. Outras Igrejas, portadoras dos mesmos valores, escolheram um outro caminho, especialmente os anglicanos,  nossa Igreja irmã, onde os padres são casados, onde se ordena mulheres e onde o casamento gay começa, com dificuldades, a ser aceito.

De fato, o que é mais prejudicial é que a alternativa de Ouellet, uma iniciativa individual, compromete o verdadeiro diálogo no qual se engajaram muitos de seus colegas. Mas seria assombroso se tivesse um grande impacto, eleitoral ou qualquer outro, porque o cardeal está se tornando num personagem marginal para os menores de 70 anos. Exceto para nos lembrar porque a separação entre a Igreja e o Estado é tão boa”.



Texto 2: A vocação e os cristãos leigos
+ Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


As comemorações desse evento importante do século XX será uma oportunidade muito boa para que examinemos nossos passos dados e as propostas do Concílio.

Um dos aspectos levantados foi sobre o papel e a missão do cristão leigo na Igreja. A grande preocupação era não apenas de uma maior participação nas preocupações e trabalhos internos à comunidade, como, principalmente, o testemunho na sociedade, nas realidades temporais.

O fato de o cristão leigo não deveria ser apenas um expectador ou destinatário da mensagem evangélica e das preocupações da Igreja, mas, sim, ser consciente de sua missão de cristão ao interno da Igreja e testemunhando Jesus Cristo à sociedade.

Este foi um aspecto importante do Concílio Ecumênico Vaticano II, que foi um impulso dado pelo Espírito Santo à Igreja e sua presença no mundo hodierno, mas, dentre as variadas conquistas, podemos afirmar que uma delas foi certamente a valorização da vida e missão dos cristãos leigos, que emergiu como um elemento fundamental para a nova realidade do mundo em transformação.

A presença do cristão leigo está em muitos documentos, mas o Apostolicam actuositatem é dedicado totalmente ao cristão leigo. Creio que seja o primeiro num Concílio em toda a história da Igreja.

Dá-se uma nova ênfase ao conceito basilar da evangelização do mundo, sua transformação para uma feição mais humanizada, mais justa, e, portanto, mais cristã. Passamos, então, a falar da missão da Igreja no mundo, servindo ao reino e não a si mesma.

Portanto, nesta missão evangelizadora da Igreja, recorda-se a missão do cristão leigo, que, vivendo em sua realidade temporal, é chamado a ser sal, luz e fermento e assim transformar a realidade através de sua profissão, da sua presença na sociedade, na política, na cultura, nas ciências, nos esportes, e muito mais. Realidades que não são alcançadas apenas pelo clero nas suas atividades e missão cotidiana, mas que precisa de um protagonista. Aos leigos é dada essa vocação específica: fazer a Igreja presente e fecunda naqueles lugares e circunstâncias onde somente através dos leigos ela pode se tornar o sal da terra.

O Papa Paulo VI afirmava que os leigos são como uma ponte que une a Igreja à Sociedade. Não como uma interferência da Igreja na ordem temporal ou nas estruturas dos assuntos mais afetos à vida política ou econômica, mas, sim, para não deixar que o nosso mundo fique sem a mensagem da salvação crista, sem as luzes do Evangelho e da mensagem de Cristo. Portanto, os leigos são chamados a estabelecer este contato entre a vida eclesial e a sociedade, ser os construtores de uma nova maneira de servir o bem comum e imbuir a realidade terrestre de uma ordem transcendentes, eterna, Divina.

São Paulo nos afirma que toda a criação será recriada em Cristo. O mundo geme em dores de parto por uma nova ordem: mais justa, mais fraterna. Todos são convidados, portanto, a seguir o modelo de Cristo.

Os leigos são corresponsáveis pela missão da Igreja, companheiros de caminhada e em quem se confia, a quem se recorre, em quem se acredita e a quem se dá espaço na decisão, no planejamento e na execução das várias atividades na Igreja, e isso pela própria essência de sua consagração batismal.

Unidos a Cristo, através do Batismo, sacramento da fé, os leigos devem, portanto, estar atentos não só a uma pertença à Igreja, mas "ser" e sentir com a Igreja que é mistério de comunhão.

A V Conferência Episcopal Latino Americana, em Aparecida, afirma que "os fiéis são os cristãos que unidos a Cristo pelo Batismo, são o povo de Deus a participar nas funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Eles fazem, de acordo com sua condição. São os homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja. Sua missão é realizar o seu testemunho e atividade e contribuir para a transformação das realidades e para a criação de estruturas justas, segundo os critérios do Evangelho".

A missão não é somente uma escolha ou uma opção, mas, sim, um dom de Deus. A missão não é nossa nem de um grupo, mas é da Igreja, que nos envia, e no centro desta missão laical deve estar o Espírito do Senhor Ressuscitado, a quem obedecem com a mesma dignidade, mas com ministérios diversos, tanto os leigos como os ministros consagrados. Ter tal consciência desta centralidade da missão em Cristo é de fundamental importância na vida do laicato no seio da mãe Igreja.



Texto 2: UM REI A SERVIÇO DOS NECESSITADOS
Pe. Gilbert Mika Alemick, ssp


O projeto do Pai é vida e salvação para a humanidade. Para realizá-lo, ele enviou o seu Filho unigênito com a missão de libertar homens e mulheres da escravidão do pecado. Jesus passou pelo mundo cumprindo a vontade do Pai: pregou a boa-nova do reino, curou os doentes, defendeu os fracos e injustiçados, denunciou as injustiças… Ele se pôs ao lado dos pobres e excluídos, dos pequenos e humildes.

O Filho, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus um privilégio. Esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, tornando-se igual aos homens (Fl 2,7). Obediente a Deus e servidor da humanidade, fez-se pobre para nos enriquecer com sua pobreza.

Jesus é rei, e percebemos isso nos dois extremos de sua vida terrena. Já no seu nascimento, os magos se referem ao recém-nascido como “o rei que acaba de nascer” (Mt 2,2). E também na cruz Jesus foi reconhecido como rei.

Mas o reinado de Jesus é o serviço. Ele é um rei que se compromete com a dignidade humana, de modo especial com os pobres. Como disse o papa João Paulo II, citado pelos bispos no Documento de Aparecida, “nossa fé proclama que Jesus Cristo é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem. Por isso, a opção preferencial pelos pobres e necessitados está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza”. Da pessoa de Jesus, servidor da humanidade, decorre a missão de seus seguidores de se porem a serviço dos pobres.

Como cristãos, discípulos e discípulas de Cristo, cabe-nos imitá-lo, agindo da mesma forma que o Mestre, opondo-se a todo sistema egoísta e opressor que o mundo propõe. Com efeito, “de nossa fé nele nasce também a solidariedade como atitude permanente de encontro, irmandade e serviço. Ela há de se manifestar em opções e gestos visíveis, principalmente na defesa da vida e dos direitos dos mais vulneráveis e excluídos” (Documento de Aparecida).

Cristo é rei, mas o reinado dele é o da justiça e do amor. Um rei que se solidariza e se identifica com os necessitados: famintos, sedentos, estrangeiros, doentes, prisioneiros. Cada vez que realizamos atos de caridade e solidariedade em favor deles, é ao próprio Jesus que o fazemos.



Texto 4: A missão dos cristãos leigos
Por: Dom João Bosco Óliver de Faria

Os Leigos são cristãos que têm uma missão especial na Igreja e na sociedade. Pelo batismo, receberam essa vocação que devem vivê-la intensamente a serviço do Reino de Deus.

Na Igreja existem as diversas vocações: a sacerdotal, a diaconal, a religiosa e a leiga. Todas são muito importantes e necessárias, pois brotam do Batismo, fonte de todas as vocações.

Antigamente, a missão do leigo era relegada a segundo plano, valorizando-se só o sacerdócio e a vida religiosa. Mas depois do Concílio Vaticano 2, a vocação e missão dos leigos foram revalorizadas, conferindo-lhes a mesma dignidade dos sacerdotes e religiosos.

Dentro da comunidade eclesial, os leigos são chamados a desempenhar diversas tarefas: catequista, Ministro da Eucaristia, agente das diferentes pastorais, serviço aos pobres e aos doentes. São chamados também a colaborar no governo paroquial e diocesano, participando de conselhos pastorais e econômicos.

Não como simples colaboradores do bispo e dos padres, mas como membros ativos da comunidade, assumindo ministérios e serviços para o engrandecimento da Igreja de Cristo.

Apesar desses serviços que desempenham na comunidade eclesial, a missão mais importante dos leigos é no mundo. Eles são chamados a realizar sua missão dentro das realidades nas quais se encontra no dia-a-dia.

Na família, no trabalho, na escola, no mundo da política e da cultura, nos movimentos populares e sindicais, nos meios de comunicação, é chamado a testemunhar, pela palavra e pela vida, a mensagem de Jesus Cristo. Nessas realidades, é chamado a desempenhar sua missão, necessária e insubstituível.

Por isso o papel do leigo não é ficar o dia todo na igreja, mas ser fermento nesses campos de vida e de atuação, ser "sal da terra e luz do mundo". Nesses ambientes deve se empenhar para a construção efetiva do Reino de Deus, "um reino eterno e universal, reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz", como rezamos no prefácio da missa da festa de Cristo Rei.

O reino de Cristo cresce onde se manifesta a atitude de serviço, a doação generosa em prol dos irmãos, onde há o respeito pêlos outros, onde se luta pela justiça e pela libertação. E tudo isso acontece de modo especial através da atuação dos cristãos leigos.

Quando os leigos assumem de fato sua missão específica, podemos sonhar com uma nova ordem social. O Concílio Vaticano 2 e os ensinamentos do papa insistem muito na necessidade de os leigos participarem ativamente na construção de uma nova sociedade, aperfeiçoando os bens criados e sanando os males. Felizmente, muitos têm entendido essa missão e se empenhado para bem cumpri-la.

Vemos com muita esperança o crescimento hoje da tomada de consciência por parte de muitos leigos que compreendem essa índole específica de sua missão. Acreditam nela e procuram exercê-la de modo digno e eficiente para que se faça cada vez mais concreta a promessa de Jesus: "O Reino de Deus está presente no meio de vós."

Na festa de Cristo Rei é importante refletir sobre a corresponsabilidade na construção do Reino. Os leigos devem assumir seu papel, confiantes nas bênçãos divinas.

Devem participar da vida comunitária, buscando nas celebrações, sobretudo na Eucaristia, as forças de que necessitam para bem desempenhar sua missão na comunidade e no mundo.


Através dos leigos, a Igreja se faz presente nos diversos ambientes sociais, impregnando-os da mensagem de Jesus Cristo, semeando os valores evangélicos da solidariedade e da justiça, empenhando-se decisivamente na construção da sociedade justa, fraterna e solidária, sinal do Reino de Deus.